Instituto Cervantes promove encontro sobre fotografia, memória e intercâmbios entre Brasil e Espanha

Atividade acontece nesta terça-feira (8), em São Paulo, e integra programação que também apresenta exposição dedicada aos fotógrafos Palmira Puig e Marcel Giró

Foto: Divulgação/Instituto Cervantes

O Instituto Cervantes de São Paulo promove nesta terça-feira (8), às 19h, o encontro “Fotografia, memória e intercâmbios culturais entre Brasil e Espanha”, com participação da curadora Rocío Santa Cruz e do fotógrafo e professor João Kulcsár. A atividade integra o Confluências Fotográficas, programação que aproxima a produção fotográfica dos dois países e reúne debates e exposições dedicados ao tema.

O encontro acontece em meio à realização da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que segue até 13 de setembro e tem a Espanha como País Convidado de Honra nesta edição. A programação do Instituto Cervantes amplia esse diálogo cultural para além da literatura e inclui diferentes expressões artísticas, entre elas a fotografia.

Um dos destaques é a exposição “Palmira Puig / Marcel Giró. Humanismo na fotografia modernista brasileira”, com curadoria de Rocío Santa Cruz. A mostra apresenta conjuntamente, pela primeira vez em uma grande exposição, as trajetórias dos dois fotógrafos catalães, que fizeram de São Paulo um espaço fundamental para sua produção e participaram do processo de renovação da fotografia moderna brasileira.

Palmira Puig (1912–1979) e Marcel Giró (1913–2011) deixaram a Espanha em consequência da Guerra Civil Espanhola. Republicanos ligados à cultura catalã, passaram pela Colômbia antes de se estabelecerem em São Paulo, em 1946. Na cidade em transformação, encontraram um ambiente marcado pela modernização urbana, que se tornou parte importante de suas pesquisas fotográficas.

Arquitetura, ruas, geometrias, personagens e cenas cotidianas passaram a integrar uma produção que combinava experimentação formal e atenção à experiência humana. Embora tenham compartilhado experiências e referências, os dois desenvolveram olhares autorais próprios.

Palmira voltou sua atenção especialmente para as relações humanas, os gestos cotidianos e os pequenos acontecimentos da vida. Giró, por sua vez, explorou com maior intensidade as formas, os contrastes e as geometrias da cidade moderna.

A participação no Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB) foi importante para a trajetória dos dois fotógrafos. Marcel ingressou em 1950 e Palmira, em 1956, passando a integrar um ambiente que reuniu nomes como Thomaz Farkas, Geraldo de Barros, German Lorca, Gertrudes Altschul e Eduardo Salvatore. O grupo teve papel central na renovação da linguagem fotográfica no Brasil.

Fotografias de alguns desses autores também integram a exposição, ao lado de trabalhos de outros nomes relacionados a esse importante momento da fotografia moderna brasileira.

A mostra também recupera o protagonismo de Palmira Puig, cuja produção permaneceu durante décadas em segundo plano diante da projeção alcançada por Marcel Giró. Uma das poucas mulheres a integrar o Foto Cine Clube Bandeirante, Palmira atuou em um período em que a presença feminina ainda era reduzida nos salões, nas estruturas dos fotoclubes e nos espaços de decisão da fotografia.

Pesquisas recentes vêm contribuindo para rever essa história e reconhecer a importância de sua produção. A exposição acompanha esse movimento ao colocar novamente em evidência o trabalho de Palmira e sua contribuição para a fotografia modernista brasileira.

A parceria criativa do casal também se estendeu ao Estúdio Giró, fundado em 1953. Palmira participou ativamente dos processos de criação e produção das campanhas, em uma atuação que ultrapassava um papel de apoio. O estúdio se consolidou como referência na fotografia publicitária brasileira e como espaço de formação e circulação profissional, por onde passaram nomes como J.R. Duran e Marcio Scavone.

Atualmente, obras de Palmira Puig e Marcel Giró integram coleções de instituições como o Museum of Modern Art (MoMA), MASP, MAM-SP, Instituto Moreira Salles (IMS), Museu Nacional d’Art de Catalunya (MNAC) e MORERA – Museu d’Art Modern i Contemporani de Lleida.

Para a curadora Rocío Santa Cruz, a exposição permite recuperar o legado dos dois fotógrafos a partir da trajetória de um casal que estabeleceu pontes culturais entre Espanha e Brasil. A mostra também evidencia como o exílio espanhol contribuiu para o ambiente cultural brasileiro e para a construção da modernidade fotográfica no país.

Além do encontro desta terça-feira, o Confluências Fotográficas realiza uma segunda atividade no dia 10 de setembro, às 19h. O fotógrafo José Manuel Ballester e Juan Manuel Bonet participam de um bate-papo sobre 20 anos de pesquisas brasileiras e do lançamento do livro da exposição “Maravilha”.

A programação do Instituto Cervantes acontece durante a presença da Espanha como País Convidado de Honra da Bienal Internacional do Livro de São Paulo e amplia os espaços de encontro entre Brasil e Espanha por meio da literatura, fotografia e artes visuais.

SERVIÇO

Confluências Fotográficas
Data: 8 de setembro, às 19h
Fotografia, memória e intercâmbios culturais entre Brasil e Espanha.
Participantes: Rocío Santa Cruz e João Kulcsár
Local: Instituto Cervantes

Confluências Fotográficas
Data: 10 de setembro, às 19h
Os 20 anos de pesquisas brasileiras e lançamento do livro da Exposição “Maravilha”.
Participantes: José Manuel Ballester (fotógrafo) e Juan Manuel Bonet
Ingressos: Gratuitos

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